A partir de informação recolhida pelo Observatório de Habitação Social do Município do Porto (OHSMP), a Domus Social identifica mudanças no perfil das novas famílias alojadas em habitações municipais afetas ao regime de renda apoiada. Em análise, estiveram dados estatísticos relativos aos anos de 2024 e 2025.
Dentro do período considerado, e numa primeira leitura global, a empresa municipal regista uma subida no número de atribuições de casas. Entre 2024 e 2025, o número de novos contratos celebrados entre o Município e portuenses que aguardavam a atribuição de habitação social cresceu 11%, de 189 para 209.

Passando à observação do perfil sociodemográfico das novas famílias alojadas, a Domus Social conclui então que, por força da disponibilidade de habitações requalificadas, os novos arrendatários do parque de habitação pública municipal apresentam características distintas.
No que diz respeito à composição familiar, em 2024 prevalecia a procura de tipologias T2 e T3, mas em 2025 a maioria das atribuições passou a ser de T1, adequados a casais ou a isolados. A empresa municipal dá nota de que este ajustamento responde ao crescente perfil de famílias com um ou dois elementos, as quais representavam 26% em 2024 e 35% em 2025.
Predominam, assim, agregados mais pequenos, em detrimento das tradicionais famílias numerosas ou com maior incidência de elementos desempregados.

Relativamente ao sexo e à idade, a Domus Social verifica que os novos residentes são maioritariamente mulheres, com uma idade média de 50 anos.


Ainda sobre a situação laboral, a empresa evidencia a referida diminuição do número de beneficiários desempregados - de 31,2%, em 2024, para 25,8%, em 2025 – e um crescimento da percentagem de arrendatários reformados.


Criado em 2020 pela Domus Social, o Observatório de Habitação Social do Município do Porto tem vindo a consolidar-se como uma ferramenta técnica e científica de apoio à formulação, monitorização e avaliação de políticas públicas, com rigor metodológico e impacto prático. Mais do que um repositório de dados, o OHSMP afirma-se, neste sentido, como um espaço de reflexão e inovação social, que permite identificar padrões e acompanhar transformações socio espaciais, permitindo tomadas de decisão orientadas para a coesão social e a justiça habitacional.
Entretanto, ficou disponível, durante o segundo semestre de 2025, uma versão otimizada da plataforma digital, que veio possibilitar o acesso, em tempo real, a mais indicadores e uma leitura mais fina, comparativa e dinâmica dos referidos fenómenos sociais, que se verificam no contexto municipal, ao nível da habitação social.