É na Praça da Alegria, num espaço recém-reabilitado pela Domus Social, que se encontram as novas instalações das Reservas dos Museus Municipais do Porto. O edifício do “Abrigo dos Pequeninos” – antiga creche e dispensário da zona das Fontainhas – inaugura assim um novo capítulo, no âmbito de mais uma intervenção de requalificação do património municipal pela empresa municipal de Habitação e Manutenção, num investimento de cerca de 1,5 milhões de euros.
Foi em 1933, que o arquiteto Rogério de Azevedo, a pedido da Câmara Municipal do Porto, desenhou o edifício que hoje conhecemos como o “Abrigo dos Pequeninos”, para “servir as crianças pobres das ilhas de São Vitor”, nas funções de creche e dispensário.
Ao longo dos anos, o edifício e respetivo espaço exterior foram sofrendo várias intervenções de adaptação, numa série de elementos dissonantes, mas também caracterizadores da contemporaneidade da evolução dos tempos e das suas funções.
A mais recente intervenção, promovida pela Domus Social, permitiu reabilitar profundamente o edifício, respeitando o seu valor histórico e arquitetónico, ao mesmo tempo que o prepara para acolher uma nova função municipal.
O projeto de arquitetura, da autoria do coletivo depA Architects, procurou tirar partido da configuração existente, evitando alterações estruturais profundas e valorizando os princípios definidos no projeto original.
Assim, mantendo a coerência da intervenção, existiu um esfoço para que o edifício fosse reabilitado com as premissas definidas por Rogério de Azevedo. A caixilharia em madeira foi reposta com desenho próximo do original, manteve-se o sistema de cobertura em telha de aba e canudo e os revestimentos exteriores originais, incluindo os rebocos de tons claros e os detalhes em azulejo.
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A obra decorreu com os desafios expectáveis numa empreitada de reabilitação, potenciados pela adaptação de uma antiga escola para um edifício técnico com funções de armazém e laboratório.
O reforço estrutural revelou-se como o principal desafio da empreitada, tornando-se o ponto chave da intervenção. Foi ainda necessário verificar as condições de estabilidade dos muros de suporte e fazer adaptações ao interior do edifício.
Dada a necessidade de criação de espaços amplos, foi feito um exercício de “limpeza” em que se eliminaram as pequenas compartimentações, de modo a criar salas amplas capazes de acondicionar os sistemas de arquivo próprios de um edifício de reservas.
Os volumes que correspondiam a ampliações ao edifício, não previstas no projeto original, foram redesenhados e integrados de forma mais coerente no conjunto arquitetónico.
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Com esta reabilitação, o antigo “Abrigo dos Pequeninos” passa a acolher as Reservas dos Museus Municipais do Porto, garantindo condições técnicas, funcionais e de acessibilidade adequadas, tanto para os bens patrimoniais como para os profissionais que ali trabalham.
A intervenção incluiu a criação de circuitos funcionais, áreas técnicas, espaços de trabalho e instalações sanitárias acessíveis em ambos os pisos, reforçando a adaptação do edifício às exigências contemporâneas.
Papel da Domus Social na reabilitação de edifícios municipais
A par do trabalho realizado no parque de habitação pública, a Domus Social realiza, trimestralmente, cerca de 2 000 intervenções de manutenção em edifícios municipais, abrangendo, entre outros, 64 escolas e 18 centros de saúde.
Em complemento a estes trabalhos de manutenção, desenvolve projetos de reabilitação mais profundos nestes edifícios, como a intervenção agora concluída no “Abrigo dos Pequeninos”, a requalificação do serviço educativo da Casa do Infante ou a reabilitação da Escola de Paranhos.
Estas intervenções reforçam o papel da empresa municipal na reabilitação e valorização do património municipal, assegurando que edifícios históricos continuem a servir a cidade do Porto, por vezes com novas funções, sem nunca perder a sua identidade e memória.