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21/08/2026

A Domus Social concluiu recentemente uma obra de conservação da Torre da Rua de Baixo, situada na zona da Ribeira, em pleno conjunto de valor patrimonial classificado e em área de valor arqueológico. Com esta intervenção, o edifício, um dos mais antigos da cidade do Porto, transforma-se num espaço mais qualificado e tecnicamente preparado para funcionar como um laboratório de cinema.

 

A tipologia das janelas primitivas ainda existentes sugere que a origem da Torre da Rua de Baixo poderá remontar ao século XIII, constituindo o único exemplo de arquitetura civil medieval existente, ao dia de hoje, na zona do Barredo, na Ribeira do Porto.

 

Com uma construção em pedra que oferecia resistência a cheias e incêndios, acredita-se que o edifício — com uma fachada voltada para a Viela do Buraco e uma outra para a Rua de Baixo — tenha desempenhado, na sua génese, possíveis funções defensivas. Terá também funcionado como local de fundição de metais.

 

 

Séculos depois, a recente intervenção realizada pela Domus Social respondeu às exigências de conservação, manutenção e segurança do equipamento de cinco pisos (com cerca de 62 m² cada), mas também ao desafio de o adaptar a requisitos funcionais específicos que o qualificassem para a sua utilização como laboratório de cinema.

 

Para isso, a empresa municipal acompanhou todas as fases da operação, desde o desenvolvimento do projeto à gestão da empreitada, procurando conciliar as diferentes necessidades identificadas com as características e o valor patrimonial do edifício, hoje dotado de melhores condições de conforto e habitabilidade e de mais infraestruturas e valências técnicas.

 

O primeiro piso foi preparado para a instalação de um laboratório, destinado a trabalhos de revelação em sala húmida protegida da luz exterior; o segundo para acolher uma sala de montagem; e o terceiro para funcionar como receção, na qual se inclui uma área de acolhimento de artistas e uma pequena copa. O quarto piso foi intervencionado para dar lugar a uma sala de projeção, equipada com painéis acústicos de aparas de madeira no teto. Já o quinto piso poderá acolher uma biblioteca ou um espaço de exposições.

 

 

Com projeto do gabinete João Fonseca & Gisela Pinto, Arquitectura e Design, o conjunto de trabalhos realizados pela Domus Social contemplou a substituição das caixilharias, a substituição da cobertura e do sistema de recolha de águas pluviais, incluindo a limpeza e o tratamento da estrutura de madeira existente, e o tratamento das fachadas e paredes de meação em alvenaria aparente.

 

Destaca-se ainda a renovação dos pavimentos interiores, incluindo a reparação e o tratamento da estrutura de madeira existente, a renovação total das instalações sanitárias e a criação do espaço destinado ao laboratório e à copa.

 

Já no que se refere a infraestruturas e valências técnicas, incluem-se a substituição das redes de abastecimento de água e saneamento, bem como das infraestruturas elétricas e de iluminação, e a instalação de um novo sistema de AVAC e de um novo sistema de ITED, com sistema de som e tela de projeção.

 

 

Apesar das sucessivas transformações que moldaram o edifício ao longo do tempo, o único registo documentado de uma intervenção na Torre da Rua de Baixo datava de 1977, altura em que o Comissariado para a Renovação Urbana da Área Ribeira-Barredo (CRUARB) desenvolvia um amplo processo de reabilitação do centro histórico do Porto.

 

À época, a descoberta e investigação de elementos construtivos de valor histórico e arquitetónico, desde logo no início dos trabalhos, condicionou o projeto dos arquitetos Furtado Mendonça e António Moura, que passou a tratar um equipamento com uma tipologia de Unidade Museológica, em vez de um com o carácter habitacional inicialmente previsto.

 

Cerca de 50 anos depois, e em harmonia com a intervenção realizada na década de 70, a Domus Social procurou dar continuidade à valorização e conservação deste edifício — de reconhecida importância histórica para a cidade —permitindo, ao mesmo tempo, a sua adaptação a um novo uso.

 

Com a recente empreitada para a conservação, manutenção, segurança e valorização da Torre da Rua de Baixo, orçamentada em cerca de 375 mil euros, a empresa municipal afirma também a abrangência da sua missão e o seu compromisso com a preservação do património municipal, contribuindo para as suas condições de funcionamento e pleno usufruto.

 

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