"Se procuram a melhor entrada / Venham cá para a conhecer / É feita de flores e pessoas / E de vontade de bem viver”. Assim descrevem os moradores o orgulho em partilhar uma vida em comunidade no bairro de Aldoar. Neste dia de reconhecimento do concurso municipal “A Melhor Entrada”, o número 60 do bloco 6 esteve ornado de “marias-sem-vergonha”, as flores que testemunham o cuidado de todos. Por todos. O mesmo aconteceu no número 48 das Fontainhas e no número 249 de bloco 15 do Regado. A tarde da passada sexta-feira foi o momento para entrega, pela mão do presidente da Câmara, dos prémios aos que melhor fizeram (e fazem todos os dias) o bairro brilhar.
Nos critérios do concurso, com cerca de uma centena de entradas participantes nesta quarta edição, entravam questões como a limpeza e a manutenção do espaço comum. Mas para todos os gestores de entrada, o mais importante é o sentido de comunidade. A entreajuda. A família que escolhida, vive do outro lado de uma porta sempre aberta.

“Somos todo como uma família”, acredita Maria Anunciação Gonçalves, inquilina no bairro de Aldoar há quase seis décadas. A par de ser “um bairro que está bem requalificado”, quem vive naquele prédio assume o orgulho em “ter a entrada limpa” e todos partilham a tarefa “para ficar tudo bonito”. Ajuda, claro, o facto de “nos darmos todos bem”. “Vim pequenina para aqui e quero ficar aqui até morrer”, afirma Maria Anunciação Gonçalves.
Promovido pela Domus Social, “A Melhor Entrada” tem vindo a consolidar-se, desde 2023, como um importante momento de reconhecimento para os inquilinos municipais abrangidos pelo ConDomus, projeto criado pela empresa municipal que promove a organização das entradas dos edifícios do Município afetos ao regime de arrendamento apoiado.
O programa já se encontra implementado em 45 dos 50 bairros municipais, num total de mais de 1100 entradas organizadas, procurando incentivar o envolvimento ativo dos moradores na valorização dos espaços comuns e na preservação do património municipal.
Aos olhos da vereadora da Habitação, é também algo mais do que “limpar e pôr flores”: “é fomentar esse exercício pelos próprios no sentido de que as pessoas cuidem das suas entradas, cuidem dos espaços comuns e façam isso com o envolvimento comunitário”. E que “isso se traduza no apoio, na relação entre vizinhos, num esforço comunitário conjunto”, sublinha Gabriela Queiroz.

Lembrando que o universo destes bairros representa 13% da população residente na cidade, a vereadora espera que “este esforço seja transversal, que existisse em todas as nossas entradas, em todos os nossos bairros”. “Percebermos que as pessoas se mobilizam para cuidarem do espaço onde vivem, é algo que temos de incentivar e acarinhar. Se não cuidamos destas pessoas, não cuidamos de ninguém”, conclui Gabriela Queiroz.
Na comissão de honra que visitou os vencedores da edição deste ano do concurso, o humorista Francisco Menezes confessa ver este como “um projeto muito interessante pela felicidade que traz às pessoas”. “É uma coisa enternecedora ver a felicidade das pessoas, esta parceria entre a cidade e os seus habitantes”, partilha.
Além do bairro de Aldoar, também nas Fontainhas e no Regado se encontrou o melhor cuidado pelo espaço de todos.

A gestora de entrada do número 249 do bloco 15 do bairro do Regado acredita que “o que faz brilhar esta entrada é a compreensão, sermos todos unidos”, mesmo, ou precisamente por, ali viverem moradores com idade já avançada. Ana Raimundo está lá desde os quatro anos, já passaram mais de 60. “É a minha vida”, assegura.
No número 48 do bairro das Fontainhas, a comunidade faz-se de “tainadas”, festas-surpresa de aniversário e do tradicional “jantar dos vizinhos” no final do ano. Mas, sublinha Joaquim Sousa, o que mais faz brilha o prédio é “todos nós sermos uma família e fazemos para nos dar todos bem”.
Uma “grande entreajuda” que “acontece todos os dias”, assegura o gestor de entrada. E conclui: “ajudamo-nos uns aos outros e somos felizes. E por isso que esta entrada brilha tanto: por causa das pessoas”.
